Maisumamãe
 

08 Setembro 2014

Nenhum, ficar em casa com a mamã!

 

Uma mãe ou um pai decidirem deixar o trabalho e ficar em casa a tomar conta dos filhos, infelizmente ainda é muito desvalorizado pela sociedade em geral, mas acredito que com um bebé pequenino, a presença da mãe de forma contínua e com uma grande disponibilidade, ajuda a que as crianças cresçam confiantes e felizes. Dr. José Martins Filho, um pediatra que penso que diz coisas muito acertadas, refere numa entrevista intitulada Os primeiros mil dias da criança e no seu livro “Quem cuidará das crianças?”, a importância das crianças ficarem com os pais o maior tempo possível, enquanto pequeninas, criando um forte vínculo com os mesmos e que tal é importante para a sua vida mais tarde, enquanto adulto.

 

No entanto, no meu caso e no caso de muitos outros pais, por motivos económicos, somos obrigados a ir trabalhar fora de casa, pelo que tornou-se necessário encontrar alguém que possa ficar com as nossas crianças. Várias são as opções para os pais: amas, avós, creches do estado, creches privadas. Mas há quem não possa deixar com os avós, há quem não tenha dinheiro para privadas, há quem não consiga vaga nas públicas, há quem não goste de amas.

Entre diversas inscrições ainda grávida, falta de vagas, falta de dinheiro para uma escola maravilhosa que descobri (num outro post falarei nesta escola), avós também a trabalhar, optei por uma Ama. Na verdade consegui uma vaga numa creche (uma IPSS), mas optei por uma Ama. Trata-se de uma Ama IPSS, inspecionada pela Segurança Social, com um espaço à partida seguro para as crianças (acidentes acontecem em todo o lado), com poucas crianças a cargo e onde consegui estabelecer uma relação de confiança. Também acredito que amas que não sejam inspeccionadas e formadas pela Segurança Social, sejam boas amas. Há boas e más profissionais como em tudo.

 

Optámos por uma ama, porque acreditamos que ali a Gabriela têm aquilo que neste momento mais precisa tendo em conta a idade que tem: atenção e cuidados direcionados para ela, para as suas necessidades específicas. Ora se cada criança é diferente, porque não damos respostas diferentes às suas necessidades? Porque é necessário comerem todo o mesmo prato? Porque é necessário todos fazerem xixi no bacio a partir de uma altura estabelecida em que devem fazer? Porque devem todos beber leite de vaca?

 

 As vantagens das creches parecem-me ser:

- Um suposto ambiente mais controlado, quanto ao trabalho realizado pelos técnicos educativos

Coloca-se muito a questão da confiança em relação às amas, mas penso que tal deve ser colocado tanto nas amas como nas creches. Há o receio de que com a ama, esta possa fazer o que quiser com as crianças, pois está sozinha e ninguém controla, mas isso também não poderá acontecer numa creche, apesar de à partida parecer um ambiente mais controlado?

 

- Um ambiente de maior socialização entre as crianças

A convivência com as outras crianças é importante, os estímulos das actividades das creches são importantes, mas nesta fase da vida dela e pelo menos até aos 3 anos de vida (em média), é ainda mais importante o apego, o carinho, a atenção. Terá tempo para socializar e na verdade pode socializar de outra forma: brinca com os primos, brinca com outras crianças no parque, brinca com as outras crianças da ama.

 

- Existência de inúmeras actividades lúdico-pedagógicas

Os estímulos não são dados apenas nas actividades mega elaboradas das creches, também se dão em casa pelos pais, com os avós, com os primos, com os filhos dos amigos.

 

A Ama tem como grandes vantagens, aspectos muito mais importantes para a Gabriela nesta fase da sua vida:

- Atenção e cuidados direccionados e personalizados para ela

- Colo

- Maior apego e estabelecimento de confiança

- Ambiente familiar

- Sem regras padrão para as crianças (dormir na hora estabelecida? Dorme quando tiver sono, eu só durmo quando tenho sono! Penso que nem todas a creches o fazem, mas a larga maioria sim.)

- Relação que os pais podem criar com a ama, parece-me melhor, permitindo uma maior partilha da personalidade e necessidades da Gabriela

- Apanha menos doenças, do que no “infectário”

 

Não pretendo mostrar que um é melhor em detrimento do outro, acho que cada pai decide o que é melhor para os seus filhos A creche não é vista por mim como algo mau, pelo contrário é vista como mais uma opção viável para os pais. No nosso caso pareceu-nos é que a Ama trazia mais vantagens para a Gabriela do que desvantagens em comparação com as creches. Temos é que estar atentos ao bem-estar das nossas crianças. Perceber se estes se sentem bem no local onde estão e com quem estão. Há sempre bons e maus exemplos nas creches e sempre bons e maus exemplos nas amas.

 

Está na Ama e mesmo assim não deixa de ser independente, sociável com outras crianças e super desenvolta!

publicado por maisumamae às 23:04
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Alô! Ora bem, concordo com o que disseste, mas no meu caso optei mesmo pela creche (é privada mas com o mesmo custo que teria numa IPSS). Também ponderei bastante onde a deixar, visitei vários locais, e este pareceu-me bom não só pelas condições, como principalmente por estar mesmo ao lado do meu trabalho, o que me deu logo uma sensação de maior confiança. Não sei quantas crianças uma ama pode ter, no caso do berçário são 4 bebés por educadora, logo são 8 na sala dela. É um facto que é um bocado "infectario", mas tb vai ganhando resistências. A nível da atenção dada, acho que é boa, se bem que ela é mt pequenina para se "queixar" ainda. Agora noto que se anda a desenvolver bastante, não sei o próprio da idade dela, ou se pelo convívio com os outros meninos (se bem que puxamos por ela em casa tb).
De qualquer das formas, uma coisa disseste e bem: todas queremos o melhor para os nossos bebecas, no mather what!! :-)
Isabel Dias a 24 de Setembro de 2014 às 14:34

É mesmo Isabel:)

No outro dia também falava com uma amiga minha sobre esta opção e é como digo não acho errado colocar numa creche, não acho errado colocar numa ama. Temos é que perceber onde melhor ficam e se sentem os nossos filhos. Na verdade antes de decidir, visitei várias creches e amas. Entretanto comecei a perceber que que há aspectos que são importantes para os bebés, mas em diferentes fases da vida deles:

Por exemplo, acho que a criança habituar-se a outras caras, socializar com muitas outras crianças, ainda não é o mais importante nesta fase. Pelo menos até aos 3 anos (não tem que ser uma coisa estanque, tipo 3 anos e 1 dia já pode), mas até essa idade, mais importante do que socializar, conhecer caras novas, habituar-se a outras pessoas, é a atenção personalizada, a companhia contínua de alguém que lhe dê muito carinho, apego e colinho (da mãe/cuidador é ideal) é o mais importante.

Com esta atenção e afecto forte, acredito que ai sim, é que as crianças se tornam pessoas mais autónomas, independentes, desenrascadas.

Acredito que as crianças depois dos 3 anos, terão mais compreensão para socializar, estar com outras pessoas, que não aquelas que lhe são tão próximas etc. Até lá, segundo o desenvolvimento dos miúdos, o que sentem mesmo necessidade é de atenção, vínculos fortes de carinho e confiança em ambientes familiares. Não é colocá-los numa redoma, mas sim criar um ambiente de disponibilidade para com eles. Pareceu-me que uma ama, em casa, com apenas três crianças, dedicada e que goste das crianças era a melhor opção!:)
maisumamae a 3 de Outubro de 2014 às 13:26

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